terça-feira, 24 de maio de 2011

[Cenas] decadadia Psicologia e Psicanálise Nº06 – Abril/2011 - - ISSN 2176-8005

[Cenas]
decadadia                          Psicologia e Psicanálise                    Nº06 – Abril/2011
                                                                                                                                               ISSN 2176-8005
EDITORIAL:
Psicologia e Humanização na Saúde: mais que pacientes, sujeitos!

            Apresentamos o Cenas, edição 06, que trata da humanização no contexto da saúde e do hospital mediado pela Psicologia. Nesse sentido, defende-se que, mais que um mero número de prontuário ou um código nosológico, o “paciente” é, sobretudo, um sujeito digno de direito, de respeito e de um tratamento digno. E a Psicologia tem muito a contribuir nesse desafio.
            Os artigos foram escritos por acadêmicos/as do curso de Psicologia da UNESC/RO, supervisionadas por docente e apresentam, a partir de suas práticas, contribuições inéditas a essa área em que o psicólogo tem consolidado seu espaço profissional.
            Boa leitura e boas cenas!
            Prof Ms Cleber Lizardo de Assis, Editor.


Artigos:
Sobre pitis e os abusos do saber biomédico ...........................................................pag 2
A Psicologia, o parto e os outros ...........................................................................pag. 6
Saúde humanizada em Cena:
Equipe de Psicologia Hospitalar, Cacoal-RO.......................................................pag. 9


Cena Poética
No hospital, Antônio Miranda.................................................................................pag. 10



Sobre pitis e os abusos do saber biomédico
Marivone F. de Assis Rodrigues[1]


The surprise  answer, René Magritte, 1933


Era noite de sábado do mês de dezembro, o pronto socorro de um hospital com muitos pacientes aguardando atendimento alguns com quadros mais graves outros menos. Aproximadamente às duas horas da manhã chega uma mulher aparentando aproximadamente 30 anos, adentra ao pronto socorro aos prantos dizendo sentir muitas dores de cabeça.
O acompanhante diz que ela necessita de atendimento com urgência, a atendente fica em dúvida sobre qual procedimento tomar, se faz a ficha e pede para que ela aguarde para ser atendida ou se passa a jovem senhora na frente dos outros pacientes que aguardavam na recepção: diante do impasse, resolve perguntar ao médico plantonista: _ Doutor chegou uma paciente chorando com muita dor de cabeça e o acompanhante disse que ela precisa ser atendida com urgência, o que eu faço? Passo ela na frente dos outros ou digo para ela aguardar?


O  médico pede para a atendente a ficha.  Quando o médico olha a ficha diz: “ _É ela de novo! Ela é a mulher do piti, isso me deixa louco de raiva, ela não tem nada! A belezoca briga com o marido e eu tenho que pagar o pato! Deixe-a esperando mais um pouco, primeiro eu vou atender quem realmente está doente, depois eu vou atendê-la. Hoje ela vai  saber o que é dor de verdade! Vai ser água destilada!”.
A atendente volta e diz ao acompanhante da mulher que tem algumas pessoas que chegaram primeiro e que também estão sentindo dor e que, assim que o médico terminar, ele vai atendê-la.


História do piti
Diante da cena supra-citada,  façamos uma reflexão: o que é “piti”? será uma mera encenação ou de fato patologia? O que levou o médico optar por essa conduta? Qual a melhor forma de solucionar esse mal estar?
Vamos por parte, primeiro vamos entender o significado da palavra “piti”: o dicionário informal nos diz que é um “barraco”, “chilique”, raiva, impaciência e que tem origem na palavra “pitiatismo”, termo designado por  Badinski em 1857,  para as às perturbações compreendidas na série da histeria que se cura pela persuasão. Antes , por volta de 1825,  um neurologista chamado Charcot  já estudava o problema da histeria pelo método da hipnose.
No mesmo período dos estudos de Badinski , Freud e Breuer investigam os mecanismos psíquicos da histeria, onde concluem que essa neurose era causada por lembranças reprimidas e de alta magnitude emocional e que os sintomas sensoriais e motores não seguiam os circuitos do sistema nervoso. Sendo que os distúrbios sensoriais, tinham grande abrangência nos órgãos dos sentidos, podendo provocar grande sofrimento com dores agudas, sem causas orgânicas, e ainda, variar desde uma sensação peculiar até  a hipersensibilidade ou anestesia total.
No entanto, podemos concluir que o mal estar que esta cena porta não nasceu no contemporâneo, mas que tem raízes e vem sendo estudado ao longo dos séculos, mas que muitos profissionais ainda desconhecem.  Na atualidade raramente os sintomas da histeria são apresentados puros como nos estudos de Freud, na maioria dos casos estão associados ou mesclados com outros sintomas.
Em segundo lugar vamos refletir sobre  a conduta do Médico: Foucault[2]  ao estudar as relações de poder, levanta a problemática do poder vinculado ao conhecimento e ao Estado; podemos aqui fazer um recorte onde o médico detém o conhecimento, considerados como “semi-Deuses” das estruturas orgânicas. O que não é do seu conhecimento não existe!
Poder, esse que vem se arrastando desde o nascimento da medicina e que se agrava com as estruturas capitalistas consideradas egocêntricas, imediatistas e individualistas; então podemos concluir que o mal estar do médico faz parte de um sistema e não de um caso particular.
La Prêtre Marié, René Magritte, 1958

Cenas que respeitam, até mesmo, os pitis
Podemos apontar como parte da solução para o mal estar da cena inicial, o saber da Psicologia Hospitalar que está pautada nos aspectos psicológicos em torno do adoecimento, onde seu olhar vai além do biológico.
Simonetti[3]  aponta a subjetividade como objeto de estudo do psicólogo no contexto hospitalar, com objetivos filosóficos de curar quando possível, aliviar quase sempre e escutar sempre. Diferentes da filosofia da medicina que é sempre curar a doença e salvar vidas.


É importante deixar claro que a Psicologia não está no hospital para melhorar a medicina: o papel do psicólogo é humanizar. Como aponta Chiattone e Camon[4], o psicólogo no contexto hospitalar é parte importante na integração e humanização da equipe.
Quando se fala em humanização da equipe de saúde  Brackes[5] e outros diz que os “profissionais de saúde parece desumanizar-se, favorecendo a desumanização na prática”; a doença na atualidade muitas vezes passa a ser o objeto do saber científico e tecnológico se desvinculando do individuo, e se os equipamentos e o conhecimento da ciência não o visualiza, ela não existe.
Diante do exposto cabe a nós recorrermos às questões éticas na intenção de ser útil na solução do mal estar. Para muitos a ética é um estudo sobre os costumes e ações humanas, no entanto ela também pode ser a própria realização de um tipo de comportamento. O problema da ética se divide em dois: Problemas gerais e fundamentais e os problemas específicos; primeiro está ligado ao próprio eu, como a liberdade de escolha, a consciência de cada um, o bem, o valor e a lei. Já o segundo está relacionado ao social, ao profissional, a política, ao matrimonial, ao social.
Enfim, é a maneira como os indivíduos conduzem nas suas relações, sendo assim, como estabelece uma dimensão basilar para humanizar a equipe de saúde. Sabemos que a ética está em varias dimensões e possui o poder de seduzir, de condicionar o comportamento das pessoas. Assim, os costumes e culturas podem mudar a ética, pois algo que há anos no passado era considerado errado hoje pode ser aceito como certo.
 Então, o saber da ética junto com o saber da Psicologia Hospitalar e a atuação do psicólogo hospitalar  podem ser ferramentas valiosas na solução do mal-estar  entre a jovem mulher e o médico, mas infelizmente não basta só o querer individual, pois o problema vai desde a dimensão individual, coletiva e social. 


[1] Acadêmica do 9º período do curso de Psicologia, Faculdades Integradas de Cacoal - UNESC/RO


[2] FOUCAULT, M. Microfísica do poder. 23ª edição, Rio de janeiro: Graal, 2007. 
[3] SIMONETTI, Alfredo. 1959. Manual de Psicologia Hospitalar: o mapa da doença. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2004.
[4] CHIATTONE, H. B. C. A Significação da Psicologia no Contexto Hospitalar. In: ANGERONI-CAMON, V. A. (org). Psicologia da Saúde: Um novo significado para a prática clinica..SP: Thomson Learning2006.
[5] BACKES, D. S.; LUNARDI, V. L, LUNARDI, W. D. A humanização hospitalar como expressão da ética. Rev Latino-am
Enfermagem 2006 janeiro-fevereiro; 14(1):132-5. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/rlae/v14n1/v14n1a18.pdf>, acesso em 21/03/2011







A Psicologia, o parto e os outros.
Leila Gracieli da Silva[1]


The Menaced Assassin, René Magritte, 1927

O parto
Certa vez, durante o período de estágio em psicologia hospitalar pude presenciar um parto natural. Literalmente natural! A cena foi a seguinte: durante as orientações rotineiras sobre os aspectos psicológicos do aleitamento materno deparei-me com uma gestante que reclamava muito das contrações e que em curtos intervalos de tempo gritava por auxílio médico. Até aqui tudo estava aparentemente tranquilo, afinal é normal que as gestantes reclamem das dores advindas das contrações, não é?
Pois bem, resolvi me aproximar e tentar estabelecer um rapport com a futura mamãe. Ela me olhou e relatou que achava que seu bebê estava nascendo, de fato, estava. Na verdade, a cabeça do bebê já estava toda para o lado de fora. Obviamente eu estremeci e confesso: DESESPEREI, internamente, claro! Não podia transparecer que estava tão nervosa quanto à mãe ou talvez mais do que ela. Mas admito, o desespero era tamanho que eu não sabia se puxava o bebê para fora ou se empurrava ele para dentro enquanto a equipe médica não chegava.
Quando a equipe finalmente chegou o parto já estava praticamente pronto. Mãe e bebê fizeram um belo trabalho juntos, tanto que os profissionais limitaram-se a “aparar” o recém-nascido e em seguida cortar-lhe o cordão umbilical. Chamaremos esta cena de “parto não humanizado”, combinado?

A história dos nascimentos e os problemas para nascer
O nascimento é um processo único e universal. Partindo desse inegável pressuposto, podemos observar que esse acontecimento é marcante por múltiplos fatores e que envolve a participação de várias pessoas, como a mãe, a equipe de saúde, o pai, os tios, avós e demais parentes, sem contar as colegas de enfermaria da puérpera/mãe e, claro do bebê.
As formas de nascimento se modificaram. Antes só havia o parto natural, que era feito pela “parteira”. Atualmente contamos com diferentes tipos de partos e com uma equipe médica disponível. A questão é: o que acontece quando a assistência médica demora pra chegar, ou pior, quando ela não chega?
Vamos considerar o fato de estarmos vivenciando o século XXI e que a essa altura do campeonato a medicina, além de ser uma de nossas mais antigas ciências, tem avançado significativamente nos últimos tempos. Vamos também destacar que o Ministério da Saúde, juntamente com a Organização Mundial de Saúde (OMS), tem enfatizado incisivamente a importância do parto humanizado em hospitais e maternidades de todo o Brasil.
Considerando estes apontamentos, qual seria então o número de pessoas que nascem em condições semelhantes e/ou piores do que o bebê relatado nos parágrafos anteriores? Qual seria a realidade das maternidades e hospitais públicos do nosso país? E para finalizar com chave de ouro, como a psicologia pode contribuir inserida nesse contexto?

Cenas que podem reverter esse quadro
Em resposta aos questionamentos supracitados é possível argumentar que existem órgãos competentes que fazem a estatística da natalidade do nosso país, fato. Todavia, não existem relatos confiáveis das condições em que os bebês têm sido recebidos neste mundo. No que se refere à contribuição da psicologia há uma vasta gama de possibilidades para reverter esse cenário desumano, são os intitulados psicólogos hospitalares.
É do conhecimento da maioria que a Psicologia é uma ciência que trabalha com as questões voltadas para os seres humanos, sua saúde, qualidade de vida física e mental entre outras variáveis. Compete a este profissional, quando inserido no contexto hospitalar, dedicar-se à humanização, à qualidade e dignidade de vida de todos os inserido no referido cenário, paciente, familiares, equipe de saúde e etc[2]. Desta forma, o governo precisa investir na contratação de profissionais psicólogos para atuarem nos hospitais fomentando a humanização do ambiente e mediando conflitos entre equipe-paciente-família[3], visto que o psicólogo possui as ferramentas necessárias para realizar tais intervenções.



A Psicologia, o parto e os outros
É lei, desde 2005, que o parto seja humanizado e acompanhado, não podemos esquecer o direito inerente à vida segundo a Constituição de 1988. Faz-se necessário que as autoridades competentes criem maneiras de garantir que tais leis sejam cumpridas. No papel tudo é muito bonito, mas apenas isso não basta. É necessário remunerar melhor os funcionários da saúde, a rotina é cansativa, cadê o reforço? É importante que as faculdades capacitem seus acadêmicos, futuros profissionais, com vivências humanas, literalmente falando. Não é “só mais uma grávida”, ou “só mais um trabalho”, é a vida do bebê que está vindo ao mundo, é a vida da mãe, repleta de ansiedades, medos e inseguranças. Não é apenas mais um parto, ou ao menos não deveria ser!
Enfim, este é o mundo no qual nascemos e cá estamos. A Psicologia não pode humanizá-lo do dia para noite. Tem-se que trabalhar pouco a pouco, inter e multidisciplinarmente. Nas palavras de uma psicóloga hospitalar importante: “concretizar um saber é tarefa vagarosa[4], e de acordo com os sábios ditos populares “a pressa é inimiga da perfeição”, portanto, vamos por partes, ou melhor, por partos!



[1] Acadêmica do 9º período do curso de Psicologia das Faculdades Integradas de Cacoal-UNESC/RO.
[2] SIMONETTI, Alfredo. Manual de Psicologia Hospitalar: o mapa da doença. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2004. 
[3] - Para saber mais sobre parto humanizado, acesse: http://www.partohumanizado.com.br/artigos.html.; sobre a Lei do parto humanizado, acesse: A lei do parto acompanhando. Disponível em: http://www.e-familynet.com/artigos/articles.php?article=624.
[4] CHIATTONE, H. B. C. A Significação da Psicologia no Contexto Hospitalar. In: ANGERONI-CAMON, V. A. (org). Psicologia da Saúde: Um novo significado para a prática clinica. SP: Thomson Learning2006.





Saúde humanizada em [Cena]:


Esta é a equipe de acadêmicas e psicóloga em estágio de Psicologia Hospitalar, Cacoal- RO, com atuações junto aos setores pediátricos e obstétrico, oferecendo suporte psicológico tanto a pacientes e acompanhantes.
Os estágios ocorreram ao longo de todo ano de 2010, teve como supervisor o prof Cleber Assis e atualmente a supervisão da profa Ana Nóbrega (centro).
Além dos estágios, o grupo de acadêmicas Leila Gracieli, Marcilene Silva, Marivone de Assis, Márcia Cristina da Silva, Roseni Masiero e Josélia Souza tem apresentado artigos científicos na área da Psicologia em diversos eventos como: XL Reunião Anual da Sociedade Brasileira de Psicologia e no III Congresso Internacional de Especialidades Pediátricas (Curitiba).
O grupo de universitárias compõe as turmas do 9º e 10º período do Curso de Psicologia da UNESC, que se formarão como a 1ª  e a 2ª turma de Psicologia da região centro-leste de Rondônia.






[CENA] poética: NO HOSPITAL, Antonio Miranda

Já passaram por aqui em desfile
médicos, enfermeiras, técnicos,
nutricionistas, fisioterapeutas,
pessoal da limpeza, eletricistas.
Só faltou a turma do pagodão da Aruc
e do street dance porque não estava na hora deles.
Até um palhaço errou de porta e apareceu.
Ah, e a senhora da Pastoral.
Todos sorrindo como num parque de diversões.
Fizeram as mesmas perguntas, as mesmas anotações,
tiraram sangue, injetaram soro,
me viram por instrumentos.
Já disse o meu nome dez vezes.
Um enfermeiro queria chupar o dedão do meu pé.
A comida sem sal, sem sol.
O médico mostrou o meu pênis para seus alunos.
Olharam no vídeo.
Ficaram satisfeitos, tiraram fotos
e tomaram notas nos cadernos e laptops. Um sucesso!
Meteram uma sonda pelo anus
e aplaudiram emocionados,
as imagens em tempo real
e um pouco de sangue coroou a aula-show.
Faltaram apenas os autógrafos.
Lavaram as mãos com álcool gel
e saíram em fila mais sábios do que nunca.
Evitei fazer caretas.
O médico mostrara que os procedimentos funcionam
e logo me abandonaram
no escuro do quarto
e me deram uma pastilha para a hipertensão.
Relaxei e dormi.
Diante de mim as pedras
de minha vesícula
num vidro
e nenhum sonho.
Não dou o nome do tranqüilizante
porque esta paz é intransferível.
Orientaç

[Cenas] é um periódico de psicologia e psicanálise, de produção independente e pode ser reproduzido desde que citados a fonte e a autoria; objetiva a discussão das cenas humanas na atualidade, em perspectivas psi, multidisciplinares; tem por base conceitos como acessibilidade, sociabilidade e conhecimento com relevância social – criador e editor: Cleber Lizardo de Assis edições anteriores para baixar e circular: http://cenasdecadadia.blogspot.com


Orientação para submissão de trabalhos: 1) Público-alvo: estudantes, pais, educadores; 2) Pede-se linguagem acessível, de contribuição psicossocial, mas sem o formato acadêmico clássico; 3) Priorizar temática com relevância social, a partir do campo psi em suas mais diversas teorias e abordagens; 4) Formato do artigo: média de 800 palavras, fonte garamond 12; 5)Metodologia “Cenas”: buscar a seqüência de “cenas” cotidiana, contemporânea, pática e outras (profiláticas/interventivas etc); 6) Além de artigos, poderão ser submetidos materiais inéditos de outros formatos: poesia, charges, crônicas, breves contos etc 7) Email para envio: kebelassis@yahoo.com.br



Para baixar essa edição, em pdf, clique aqui






Boa noite.












quinta-feira, 14 de abril de 2011

[Cenas] decadadia Psicologia e Psicanálise Nº05 – Março/2011 - Especial Mulher - ISSN 2176-8005

Mulher no banho, Magritte, 1925.

Artigos:
A menina e o espelho: a dura tarefa de se amar a cada dia........................................pag 2
            Gravidez coelhística...................................pag. 6
            Quando a violência entra em casa......................pag 10

Mulher em Cena:
            Evento e Projeto de Atendimento à Mulher vítima de violências............pag. 14


Cena Poética:
            Mulher da vida, Cora Coralina.......................................pag.15




A menina e o espelho: a dura tarefa de se amar a cada dia
Vanessa de Araújo Martins[1]



Ligação perigosa, René Magritte, 1926


Uma cena no espelho
            Hoje me deparei com uma cena que me fez pensar: “uma garota procurando espinhas em seu rosto, mas descontente por não encontrar, apertava as gorduras medianas de sua barriga que, nesse momento, estava contraída ao máximo, passando a imagem para o espelho e tentando convencê-la de que era bonita... a princípio, não se convenceu”.

Estaria mesmo certo Vinicius de Moraes quando afirmou em seu poema: “Que me perdoem as feias, mas beleza é fundamental”?  Nunca achei que ele estivesse errado, mas hoje parece que essa pequena frase ressoa cada vez mais forte, não somente nas mulheres consideradas “maduras e feitas” e que, com o tempo e os filhos, adquiriram formas mais avantajadas e que lutam para voltarem ao corpo adolescente....falo das mulheres de todas as gerações.

“Espelho, espelho (midiático) meu...”
Claro que a mídia tem um peso super poderoso sobre o nosso olhar ferinamente autocrítico ao espelho, afinal estas modelos magérrimas tidas como o padrão da excelente perfeição estão aí e não nos deixam mentir.
            Certa vez participei de uma palestra em que abordava temas do desenvolvimento humano e falava das belezas e dificuldades de cada faixa etária, como da adolescência como período onde se estabelece uma identificação com um determinado grupo e começa-se a fazer parte dele, daí surgindo as identificações/assimilações, amizades, inimizades e a temida rejeição perante o olhar do outro. Uma mãe citou o exemplo de sua filha de quinze anos que queria ficar mais magra para poder entrar em um grupinho de meninas da escola. Neste momento parei e fiquei perdida em minhas recordações escolares que, diga-se de passagem, não tinha a aparência considerada desejável: uma menina alta, hiper magra e de cabelos crespos e que recebia, como todas do tipo, vários apelidos que hoje me soam engraçados, mas que à época tornava-se uma luta ter que enfrentar esses pequenos vilões cotidianos, porém foi uma fase pela qual eu soube passar. E hoje será que os adolescentes estão preparados para lidar com essas alienações e rejeições?
Tenho notado que não, pois nunca houve um índice tão grande de adolescentes e mulheres com dismorfia corporal (termo usado para designar a desconexão ou diferença entre aquilo que a pessoa acredita ser “em termos de imagem corporal” e aquilo que realmente é) e transtornos alimentares, buscando alcançar a excelência da beleza.

Seria a beleza exterior suficiente?
Segundo a teoria evolucionista, a mulher busca a beleza como um dos requisitos utilizado para selecionar um parceiro ideal;  bom, parece-me que esta “técnica” já não é tão válida hoje, pois existem tantas mulheres espetaculares por fora, mas quando é aberto o zíper de todo esse glamour, não há atributos necessários para se ter alguém ao lado.
Fato é: a beleza ajuda SIM, porém, mulheres bonitas tem aos montes, mas ressalto que além da beleza, os homens estão procurando outros atributos para namorar, casar e constituir família, visto que a beleza tornou-se apenas mais um requisito e não regra final.
Não estou dizendo que as ditas lindas e perfeitas não tenham “conteúdos”, algumas fazem jus ao seu título, e a perfeição de fora talvez reflita ao que há “dentro”.  E quando digo “perfeitas por dentro e por fora”, aí se encontram inúmeras características: a estrutura que chama a atenção por onde passa, ou seja, o conjunto beleza, sensibilidade, inteligência dentre outros atributos... a beleza de ser sim mulher... e porque não o sexo frágil e sensível que gosta de flores, poemas, que tem o “dom materno” e a vontade de encontrar o príncipe encantado e com ele viver sua história de amor?
Segundo Novaes e Vilhena[2], o “corpo fala” de várias maneiras e se expressa a todo instante a procura da “felicidade completa”, e nesta busca incessante pela perfeição, o corpo se transforma em um palco de obras e cenas onde nada o apavora, nem mesmo os pedidos da saúde ou da realidade, tal palco feito como campo de contradições e confusões, onde o mesmo corpo que procura simetria é o mesmo que esconde as suas diferenças.
            Atualmente a mulher e sua imagem são sinônimos de beleza e como consequência, bem-estar e jovialidade. A cultura em que vivemos insiste em mostrar tal padronização de perfeição, porém uma beleza que se reduz a corpos esculturais, sexys, que incitam o desejo do outro, usando como uma de suas ferramentas, medicamentos que lutam contra o cansaço e até mesmo contra a idade.
            O que falta hoje à mulher é se ver como uma Diva, não como modelos ditados pela mídia, mas a mulher que a cada dia descobre sua feminilidade, seja com o rosto e o corpo que tiver; cabe a ela cair em si e explorar o que possui de “lindo”: Não gosta dos peitos? Realce a cintura, Não gosta da cintura? Realce o bumbum? Não gosta do bumbum? Realce o rosto, o cabelo.
Nós mulheres temos a vantagem de termos um vasto “campo” para trabalhar e descobrir novos caminhos. E isso não é demagogia, é experiência própria e de pessoas com quem convivo, pois vejo em mim e em cada uma delas o quanto aprendemos a gostar de nós mesmas, a gostar da arte de fazer uma chapinha, um penteado, uma maquiagem poderosa, em colocar uma roupa bonita e olhar no espelho e gostar do que vê. Mas isso é uma tarefa difícil, que merece nossa atenção todos os dias.


Ao invés de olhar no espelho e ver os defeitos, procurarmos também o que há de bom, como o título traz: amar-se a cada novo dia.



Tudo faz parte do processo

            Lembram-se da garota do inicio do texto? Aquela que se contorcia para agradar ao próprio espelho? Bem, essa garota vai lidar com todos os percalços das tristezas e alegrias de ser mulher; torço para que ela tenha um discernimento para tirar bons proveitos de todas estas etapas e que ao final  descubra o quão linda é, e melhor que isso, que ela trabalhe a sua “beleza interior” tanto quanto a exterior, porque como já dizia o poeta, “a beleza é fundamental” sim, mas a inteligência meu caro, não tem prazo de validade e é o que vai convencer no final.

Tentando o impossível, Magritte, 1928



[1] Acadêmica do 9º período do Curso de Psicologia, das Faculdades Integradas de Cacoal - UNESC/RO.
[2] NOVAES, Joana V. e  VILHENA, Junia de. De Cinderela a moura torta:sobre a relação mulher, beleza e feiúra. Interações [online]. 2003, vol.8, n.15, pp. 9-36. ISSN 1413-2907.





Gravidez “coelhística” em humanos

Ana Paula ferreira e Pâmela Silva[1]



Dois casos vivenciados num estágio
Estávamos no Posto de Saúde de uma cidade do interior de Rondônia estagiando na área da Psicologia da Saúde, juntamente com a enfermeira que faz os acompanhamentos pré-natais, quando tivemos a oportunidade de observar dois casos em atendimento que nos chamou a atenção.
            O primeiro era o de uma gestante de dezoito anos de idade, grávida de quatro meses, em seu primeiro atendimento pré-natal. A mesma relatou na entrevista estar grávida de seu segundo filho, sendo que o primeiro tem um ano e oito meses. Quando questionada pela enfermeira sobre o método contraceptivo adotado, a mesma informou que não utilizava nenhum e que estava conformada com a gravidez. Muito foi o nosso espanto e da própria enfermeira que a questionou várias vezes se realmente estava aceitando bem a gravidez. O que mais nos marcou não foi somente o conformismo de uma gravidez não planejada, mas sim a demora em procurar os serviços pré-natais.


Ceci n'est pas une pomme, Magritte, 1984.

                
                  O segundo caso trata-se de uma possível gravidez, pois a mesma procurou o atendimento pré-natal sem antes ter a confirmação da gravidez.  A mesma foi interrogada pela enfermeira, relatou ter uma filha de quatro anos e que estava ansiosa para ser gestante novamente. A enfermeira a encaminhou para realizar o exame sanguíneo para a confirmação da possível gravidez antes de iniciar o processo de acompanhamento pré-natal. Quando interrogada sobre o desejo de ser mãe assim tão jovem, ela disse querer muito, pois foi mãe jovem e isso não tinha sido problema antes.


Novas mulheres, novas maternidades, novos problemas
                    Muito foi a nossa admiração em ter presenciado os dois casos citados, pois nos dias atuais, sabemos que as mulheres estão com uma visão mais ampla de seu papel na sociedade, pois buscam por sua própria independência e seus direitos, aliás proclamam essa “independência”.
                    Antigamente as mulheres eram criadas para serem donas de casa, cuidar do esposo e filhos, mas com o passar do tempo, a mulher conquistou seu espaço na sociedade. Devido à sua busca constante por autonomia, os planos de ser mãe e constituir família foram adiados e em alguns casos extintos.
                    Mas ainda hoje em dia, com tantas formas de prevenção a uma gravidez, ainda há mulheres que levam a sua vida sexual de forma simples e ingênua sem pensar nos riscos que correm, pois tem convencionado que na adolescência a mulher ainda não está preparada psicologicamente para assumir a maternidade, o que poderá acarretar diversos problemas de cunho emocional, social, econômico. Mas não obrigatoriamente.
                    A dificuldade financeira e o impedimento em continuar os estudos, além das dificuldades familiares, o próprio desinteresse, etc, são elementos presentes nas realidades dessas jovens, mas mesmo não tendo o desejo de ser mãe tão jovem, devido a esses fatores citados, enveredam pelo caminho da maternidade precoce. Fato é: temos diversas formas de ser mulher e der mãe na atualidade.


Maternidade sob riscos
                    Nos casos acima citados, observamos que as mesmas possuem um baixo nível socioeconômico, escolar e outras diversas carências. Isso pode  levá-las a gestações na adolescência e a casamentos prematuros.
                    A falta de oportunidade de estudar, cursar uma faculdade, as levam por este caminho ou podem ser conseqüência deste. Essa visão vai passando de geração em geração, pois as mesmas ensinam aos seus filhos o que aprenderam, fazendo com que esta forma de agir seja repetida socialmente.
                    Por haver um certo “conformismo” com essa situação, elas deixam de buscar por novas oportunidades, seja na vida pessoal e profissional, sempre agindo como se a vida que levam fosse o mais alto nível que podem chegar.
                    Mulheres que iniciam a maternidade na adolescência tendem a ter um número maior de filhos durante toda a sua vida reprodutiva e, na maioria dos casos a primeira gravidez não é planejada, e algumas vezes indesejada, ou seja, há uma rejeição do bebê pela mãe. Assim a probabilidade das seguintes gestações adquirirem o caráter não desejado da primeira tem um risco muito alto[2, 3].
                    A gravidez na adolescência é de grande risco para a saúde da mulher, pois a gestação precoce pode prejudicar seu físico não preparado para essa etapa da vida. As conseqüências mais comuns são eclampsia, anemia, parto prematuro e recém-nascido com baixo peso. Além de fatores biológicos, estudos demonstram que a gravidez prematura afeta o psicológico, o social e econômico da adolescente.

Promovendo a maternidade saudável
Uma das formas de prevenção a esse tipo de acontecimento são palestras educativas e conversas sobre sexualidade e gravidez na adolescência. Elas muito ajudam no combate a gravidez precoce, é uma forma mais acessível de informação a todos as classes sociais.
Les jours gigantesques, René Magritte, 1928.


A instrução por parte da família é muito importante e os pais deveriam ser os primeiros a abordar sobre prevenção. O que podemos observar é que ainda há um grande TABU em relação à sexualidade em geral, estendendo à gravidez. Os pais sentem vergonha ou até mesmo acham errado conversar esse “tipo de assunto” com os filhos e filhas. Por não haver essa comunicação no lar, os filhos acabam buscando informações com outras pessoas, que muitas das vezes podem ser errôneas.
Mesmo havendo muitas campanhas de prevenção na mídia e até mesmo nas escolas, esse tipo de situação vem aumentado cada vez mais, como se os jovens não dessem valor a esse tipo de informação, se deixando levar pela de satisfação momentânea e sem pensar nas conseqüências que uma falta de prevenção pode acarretar futuramente.
O papel da Psicologia neste contexto não é somente de auxiliar os jovens e instruir as famílias e os representantes escolares, para que se criem novas formas de intervenção para se trabalhar essa temática. E em casos de gravidez entre os mesmos, ajudá-los a se adaptar com esse momento, evitando assim danos psicológicos, sociais e mesmo a reincidência de novos casos, indesejados. Em suma, contribuir para a gestação de uma nova maternidade mais consciente, autônoma e responsável.





[1] Acadêmicas do 9º período do Curso de Psicologia, das Faculdades Integradas de Cacoal - UNESC/RO.
[2] BERLOFI, L. M., ALKMIN, E. L. C., BARBIERE, M., GUAZZELLI, C. A. F. , ARAÚJOU, F. F.. Prevenção de reincidência de gravidez em adolescentes: efeitos de um Programa de Planejamento Familiar. Disponível em: www.scielo.br/pdf/ape/v19n2/a11v19n2.pdf
[3] TONETE, L. S.; PAMPLONA, V. L. A gravidez na adolescência sob a perspectiva dos familiares: compartilhando projetos de vida e cuidado/Rev Latino-am Enfermagem 2006 março-abril.,14(2):199-206./ Disponível em: www.scielo.br/pdf/rlae/v14n2/v14n2a08.pdf








“Quando a violência entra em casa”

Daiéllen Martins Veronezi e Marcilene Rodrigues da Silva[1]


Le Tombeau des Luteurs – Rene Magritte


Uma mera cena cotidiana...
Amélia é uma mulher tímida, pouco comunicativa, fica sempre envergonhada, constrangida e facilmente se isola, dificilmente sai de casa. Após seu casamento no ano de 2007 com Pedro a vida de Amélia se transformou, e devido a uma briga com seu marido durante uma reunião em família, onde o mesmo diz ter sido envergonhado por Amélia na frente de sua família, começou a agredi-la com palavrões, empurrões, puxões de cabelos, deixando-a constrangida diante de todos. Após esse episodio, Amélia nunca mais foi a mesma e as agressões passaram a fazer parte de sua vida:  hoje Amélia não sai mais de casa e sempre está com manchas avermelhadas em seu corpo, com o semblante triste e psicologicamente abalada.


Uma cena que insiste repetir...
Quem nunca vivenciou ou presenciou um episódio de agressão contra uma mulher? Por que as agressões passam a ser rotineiras na vida de muitas mulheres? E porque elas não reagem? Será medo? Vergonha?
Assim como pudemos identificar a violência contra a mulher “Amélia” no episódio acima, existem muitas “Marias” que são agredidas diariamente e que são expostas a todos os tipos de agressões, seja física, verbal ou psicológica. Essas vítimas de agressões domésticas precisam de algum tipo de apoio, que alguém faça algo por elas, em cujas brigas de marido e mulher, “se meta a colher”, e que as façam  compreender a situação que vivem, que as encorajem a ter uma vida mais digna e sem esse tipo de sofrimento... Que as ajude a, simplesmente, sentir-se mulher e não objeto.



A violência
Violência vem do latim violentia, que significa caráter violento ou bravio. O termo violare significa tratar com violência, profanar, transgredir e deve ser referido a vis, que significa a força em ação, o recurso de um corpo para exercer a sua força e, portanto, a potência, o valor, ou seja, a força vital. Violência que é composto por vis, que em latim significa força, sugere a idéia de vigor, potência, impulso. Também traz a idéia de excesso e de destemor.
Assim, mais do que uma simples força, violência pode ser conceituada como o próprio abuso da força. A Violência é, pois, o ato de brutalidade, constrangimento, abuso, proibição, desrespeito, discriminação, imposição, invasão, ofensa, agressão física, psíquica, moral ou patrimonial contra alguém, caracterizando relações que se baseiam na ofensa e na intimidação pelo medo e pelo terror.
A agressão atinge um grau de brutalidade tão grande que é considerada também um grande problema de saúde pública. A mulher sempre ficou relegada a um segundo plano, preterida e colocada numa situação de submissão, discriminação e opressão, o que a coloca em um processo histórico de vitimização pelo sexo masculino.
Entretanto, não podemos ignorar as conseqüências que essas práticas acarretam sob as mulheres, chegando a causar problemas, muitas vezes, irreversíveis, quando não a morte. A Psicologia é desafiada nesse caso, em particular, a ajudar no enfretamento desse sofrimento.



Cenas de saída à agressão
Considerando que as vitimas da violência passam por diversos constrangimentos, é necessário que seja feito algo para que possam ter seu sofrimento tratado.
Ritt, Cagliari e Costa[2] destacam que são direitos de terceira geração os direitos de gênero, ou seja, aqueles que se refere à dignidade da mulher, à subjetividade feminina.  Proteger a mulher da violência doméstica, da qual sempre foi vítima, conforme abordado, é tornarmos efetivos os seus direitos humanos da terceira geração.
No entanto, se faz necessário dar prioridade e apoio às mulheres vitima de agressões, com intervenções psicológicas, para que elas possam se sentir mais protegidas e amparadas, como também deve-se orientar e conscientizar os agressores sobre a gravidade e os transtornos que causam seus atos violentos.
Les amants, Rene Magritte, 1928.


Considerando a vítima, é necessário que se trabalhem as suas habilidades sociais para que saibam lidar e se defender quando forem agredidas: que a vitima tenha um repertório comportamental capaz de inibir a ação do agressor.
Faz-se necessário conscientizar os agressores e também dar um suporte e apoio para que os mesmos possam compreender o seu grave comportamento e desenvolvam habilidades comportamentais socialmente aceitáveis e saudáveis com suas parceiras. Mesmo que seja muito difícil modificar a personalidade de um indivíduo agressor é possível que os ajude a desenvolver novas formas relacionais não baseadas na violência.


Obviamente, junto com as estratégias educativas e psicológicas, não podemos descartar, aliás devemos tê-la como aliada, a força da lei e da repressão legal sobre tais atos. Em especial, nos referimos à Lei nº 11.340, de 7 de agosto de 2006, também chamada de “Lei Maria da Penha”[3].
Nesse sentido, como lembram Ritt,Cagliari e Costa, todas as mulheres sonham com a felicidade, o sonho da mulher depositado no casamento, em ser a rainha do lar, em ter uma casa para cuidar, os filhos para criar e um marido para amar, e é isso que elas tem como direito: serem respeitadas e amadas.






[1] Acadêmicas do 9º período do Curso de Psicologia, das Faculdades Integradas de Cacoal - UNESC/RO.

[2] RITT, C. F. CAGLIARI, C. T. S. COSTA, M. M. Violência cometida contra a mulher compreendida como violência de gênero, disponível em: http://www6.ufrgs.br/nucleomulher/arquivos/artigo_violencide%20genero

[3] Para conhecer a lei na íntegra, acesse:




Mulher em [Cena]:



UNESC realiza evento e lança projeto de atendimento jurídico e psicológico à mulher vítima de violência em Cacoal/RO


            O evento alusivo ao Dia Internacional da Mulher, ocorreu dia 12/3, com a mesa redonda “Mulher e Violência em Cacoal: Contribuições dos Segmentos Públicos, do Direito e da Psicologia”.
Na abertura a prof Rita Lima – coordenadora geral de ensino da Unesc que fez a leitura de seu artigo sobre a mulher, seguida de uma apresentação musical pelo prof Cleber Assis, coordenador geral da Extensão. A mesa redonda foi composta pelos expositores: Cleber Lizardo de Assis, Professor do Curso de Psicologia e Coord Geral de Extensão da Unesc, Carina Gassen Clemes, professora do Curso de Direito da Unesc, Rogério Dias, Coordenador do Curso de Psicologia da UNESC, Dra Anita Wessel, Delegada da Delegacia Especializada de Defesa da Mulher e da Família de Cacoal, Dra Iris Cristina Gurgel Pini, Advogada e professora Universitária e o Dr Jhonny Gustavo Clemes, Juiz de Direito da Comarca de Cacoal.
Ao final aconteceu um debate com o público presente e foi assinado por todos debatedores convidados, um protocolo de intenção para a execução do projeto de extensão “Mulher Viva – Projeto de Atendimento Psicossocial e Jurídico à Mulher vítima de violência em Cacoal”.
            O projeto de extensão será desenvolvido de forma interdisciplinar pelos cursos de Direito e Psicologia, em parceria com a Delegacia da Mulher, e deve oferecer atendimento psicológico à mulher na própria Delegacia, atendimento psicológico a familiares na Clínica de Psicologia da Unesc e atendimento jurídico no Núcleo de Práticas Jurídicas da Unesc. Mais informações: Núcleo de Extensão e Atividades Complementares, coord. Prof Cleber Assis – Cleber@unescnet.br





[CENA] poética
:
mulher da vida, De: Cora Coralina, 1926

Mulher da Vida,
Minha irmã.
De todos os tempos.
De todos os povos.
De todas as latitudes.
Ela vem do fundo imemorial das idades
e carrega a carga pesada
dos mais torpes sinônimos,
apelidos e ápodos:
Mulher da zona,
Mulher da rua,
Mulher perdida,
Mulher à toa.
Mulher da vida,
Minha irmã.






Iniciamos nessa edição a Série Magritte, expondo obras de René Magritte (1898-1967), importante artista belga surrealista. Conheça mais de sua vida e obra:
http://www.musee-magritte-museum.be e http://www.magritte.be/




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Orientação para submissão de trabalhos: 1) Público-alvo: estudantes, pais, educadores; 2) Pede-se linguagem acessível, de contribuição psicossocial, mas sem o formato acadêmico clássico; 3) Priorizar temática com relevância social, a partir do campo psi em suas mais diversas teorias e abordagens; 4) Formato do artigo: média de 800 palavras, fonte garamond 12; 5)Metodologia “Cenas”: buscar a seqüência de “cenas” cotidiana, contemporânea, pática e outras (profiláticas/interventivas etc); 6) Além de artigos, poderão ser submetidos materiais inéditos de outros formatos: poesia, charges, crônicas, breves contos etc 7) Email para envio: kebelassis@yahoo.com.br







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